25.4.08

Liberdade


Num dia em que se celebra a conquista da liberdade a vários níveis, parece-me relevante reflectir acerca daquela que temos hoje em dia. É impossível falar do 25 de Abril sem recorrer às personagens da nossa história que deram a vida por este direito que actualmente nos é concedido. Não chegará dizer obrigado nem outro tipo de agradecimento. Por muitas honras que entreguemos, parece-me óbvio que a única que será válida tratar-se-á da conservação desta esperança.

Apesar de constituir uma questão à qual a resposta não é esperada nem definitiva: "teremos, nós, liberdade?"

Inseridos numa sociedade onde predominam as regras e as normas sociais, é-nos difícil "pisar o risco" e testar a nossa liberdade e autonomia. Olhados de lado, comentados na rua. Tudo serve actualmente para condenar alguém que não respeite as obrigações que viver civilizadamente nos impõe.

" Vivemos num país livre. "

Frase inválida. Sempre que ligamos a televisão ou abrimos a página do jornal aparece um escândalo novo na comunicação social. Alguém que quebrou as regras do jogo, que foi diferente, que foi livre. No entanto, se compararmos as circunstâncias actuais com aquelas vividas no Estado Novo...

Publicar um livro sem a leitura prévia do Estado? Era impossível. Expressar as suas opiniões com a vizinha? A PIDE estava em todo o lado. Querer melhorar o país indo contra as políticas estatais? Era considerado crime.

Nada disto acontece hoje em dia. De facto, em parte, somos um país livre. E se o somos, é à Revolução dos Cravos que o devemos. Viva a Liberdade!

Deixo-vos com a música " E depois do Adeus", do grande Paulo de Carvalho, que sugiro que recordem:
http://www.youtube.com/watch?v=lUb8tVPVHpI

19.4.08

Meios de comunicação - potencialidades e consequências

A proliferação e a valorização das redes de comunicação como as redes da Internet, dos telefones, telemóveis, da televisão que actualmente, salvo algumas excepções existe em todos os lugares e está acessível a toda a população, alteram de forma profunda a vida no planeta terra.
As telecomunicações aproximam os cidadãos, permitem um funcionamento da sociedade global em que o tele-trabalho e o tele-comércio são uma realidade emergente e a informação circula cada vez mais rápida com todas as implicações positivas e negativas associadas.
O conceito de aldeia global de um sociólogo canadiano, alerta para a realidade actual em que as comunicações eliminaram as distancias e o mundo é actualmente um espaço em que todos se conhecem, em que o conhecimento das diferentes sociedades pode enriquecer o conhecimento geográfico e a tomada de conhecimento da sua diversidade de culturas. Isto acontece em todos os cantos do mundo, um mundo cada vez mais uniformizado culturalmente, com uma nova consciência e mais dinâmico.
No entanto, não podemos duvidar de que as culturas que estão a perder-se e que há cidadãos que podem ficar fora da aldeia porque verificamos que as novas redes de telecomunicação também têm as suas fragilidades.
Para se utilizar estes novos meios de comunicação é necessária aptidão que é conseguida através do contacto com os novos meios e através da formação dos indivíduos. Deste modo, certa parte da população pode ver-se ainda privada da utilização, sendo sobretudo os idosos o grupo mais afectado por esta inaptidão, sendo excluídos do grupo de utilizadores pela incapacidade para utilizarem os novos meios, já que são geralmente o grupo que menos acesso tem a estes e que esta pior preparado para os utilizar.
Também o problema da uniformização e perca cultural tem de ser compreendido. Devido a constante e rápida difusão e de informação e de ideias e o encurtamento de distâncias relativas, as culturas das diferentes civilizações, muitas vezes de tradição milenar e de importância histórica, vão se perdendo, muitas vezes de forma definitiva, contribuindo para um empobrecimento cultural generalizado, que cada vez mais é sentido um pouco por todo o mundo.
Deste modo, é importante compreender todas as consequências da crescente utilização dos meios de comunicação, tanto as positivas como as negativas de modo a que seja possível potenciar/prevenir estas, de forma que consigamos retirar o máximo de proveito destas novas inovações, sem comprometer a nossa identidade cultural.

16.4.08

Humanidade(s)


Já que este blog é precisamente sobre Humanidades, é decerto crucial falar-se sobre Humanidade, esse "pequeno" grande grupo de pessoas do qual fazemos todos parte, porque a Humanidade é o grupo que ninguém exclui porque se refere a todos aqueles que são humanos, seja qual for a sua cor, raça, sexo, idade ou religião. A Humanidade, mãe de todos os descendentes que são a sociedade actual, sofreu mutações ao longo da história e acumulou novos problemas, mas também novas soluções; cometeu erros com os quais aprendeu ou não, resolveu problemas que causaram outros; perpectua problemas ou simplesmente, por ser tão rica e variada em opiniões e crenças, não os consegue resolver. Mentes são mudadas, umas para o bem e para os valores pelos quais nos devemos reger, outras adoptam ideais aos seus olhos correctos, mas que só podem trazer conflitos e discóridas entre seres humanos. Mentalidades são adoptadas e por isso, por muitos poucos que sejam os que as possuem, estas perdurarão porque haverá sempre quem reflita sobre elas e as ache espelho de si próprio e daquilo em que acredita. É isto que de tão fantástico torna a Humanidade quase que num universo paralelo. É isto que a faz tanto unir-se como chocar dentro de si. A diversidade de culturas, ideiais, sentimentos, personalidades, crenças, educações, até a própria diversidade inata que nos faz ver as coisas por pontos de vista diferentes de qualquer pessoa, seja ela de um país distante ou o irmão que cresceu connosco.

Acredito que as pessoas nascem com uma certa "base" de personalidade que advém da sua ainda deficiente capacidade de raciociar e de sentir, porque se fôssemos assim tão maleáveis, seriamos exactamente aquilo que os nossos pais desejavam que nós fossemos; aquilo para que nos criaram e educaram. Mas, ao vermos as crianças, ainda que muito pequenas, reparamos que são todas diferentes nas suas formas de agir, pelo que é importante dar-lhes, mesmo que inconscientemente para elas, bases seguras para as suas personalidades. Portanto, a Humanidade começou logo com o ser que nasce e dele se renova, sem nunca terminar, pois aquele que morre deixa sempre legado, a perpetuação da sua existência, quer por descendência, quer não. Um simples gesto de uma pessoa, que poderá ser vulgar aos seus olhos, formará uma espécie de cadeia que se expandirá e que irá afectar pessoas em qualquer canto do mundo. Basta um erro nosso para que aquele mais sensato e observador aprenda algo de valor que o impedirá de cometer o mesmo erro e mudar o destino que poderia ter. Isso torna a Humanidade também num espaço de partilha.

Ao interagirmos uns com os outros, mudamo-nos não só a nós, como aos que nos são próximos (sendo que, com as novas tecnologias, se pode ir cada vez mais longe nesta cadeia), que por sua vez mudarão os que lhes são próximos e assim sucessivamente. Claro que tudo pende da mesma forma para o lado bom como para o lado mau. A eterna luta renhida entre o certo e o errado, que não têm necessáriamente de constituir um campo de batalha. Se se chegou à ideia de correcto, é porque alguém errou e percebeu que tinha errado, procurando assim aquilo que realmente está bem e é bom para si e para os outros, aquilo que produz o carácter e o bem-estar, consigo e com a comunidade que o rodeia. Também a ingorância pode ser a fonte do erro: quem foi educado com falhas e cresceu no seio de um erro, decerto errará também, se todas as portas ao mundo diferente a partir do qual poderá julgar ao seu estiverem fechadas. Quem é criado numa familia de racistas será provavelmente racista, a não ser que olhe à sua volta e compreenda que nem tudo aquilo que lhe é egado pela familia é o ideal; se observar o negro que vive tal e qual como o branco e em nada difere a não ser no excesso de pigmentação que as condições climatérias e geográficas conferiram à sua raça para o proteger, basta ter uma mente aberta para recusar os ideais que lhe são transmitidos e formar-se enquanto ser sensível e racional que é.

Olhando a Humanidade de hoje, é quase impossível contar os diversos problemas que a afligem: aquecimento global, guerras por diversas causas, fome, pobreza, desrespeito pelos Direitos Humanos, preconceitos... enfim, problemas políticos, económicos e ambientais que acabam por ser causa e consequência do primeiro problema: o problema social. Enquanto o ser Humano não aprender a relacionar-se com os outros e a aceitá-los; enquanto as pessoas não enfrentarem os seus medos e admitirem que erram porque é assim mesmo, somos todos humanos e erramos; enquanto não se mudarem as atitudes, não só através da educação como também da prórpia reflexão, porque há coisas que mesmo ensinadas, precisam de ser apreendidas por nós mesmos para serem aceitadas; enquanto nada disto for feito à escala mundial, a Humanidade defrontar-se-á sempre com estes e outros problemas que criará.

Há que aprender a viver em sociedade, mas principalmente consigo próprio. Daí sim, poder-se-á aprender a viver em comunidade. Parece uma tarefa dantesca, de facto, e será ingénuo acreditar neste mundo utópico, com todas estas pessoas tão antagónicas umas das outras. Mas a verdade é que o sonho, a preseverança e a coragem de combater por aquilo em que acreditamos poderá fazer muito por esta Humanidade que caminha por entre o nevoeiro, perdida e confusa. O Homem não é perfeito, muito menos a Humanidade. Mas o esforço para mudar aquilo que está errado e a elevação das vozes da razão pode criar heróis, heróis esses que, não mudando toda a Humanidade, mudaram mentalidades e alcançaram todas as vantagens e progressos sociais e humanos que temos hoje. Pensemos, por exemplo, em todos aqueles que lutaram contra a escravidão. Foi graças a eles que esta foi abolida, embora tal concepção na sua época soasse ridícula. Eles fizeram mentes pensar, observar e julgar atitudes.

Não podemos curar, mas podemos melhorar. A Humanidade é a Grande Familia, ela expõe-nos a tudo aquilo a que temos acesso e afecta-nos, pelo que devemos lutar por ela e fazer dela o melhor espaço de encontro possível, para que nela nascem pessoas com valores baseados na Razão, no conhecimento do correcto, na empatia pelos sentimentos humanos. É aquilo que por vezes basta: empatia pelo outro. Não é limitar o pensamento e a liberdade dos outros que os torna melhores indivíduos; é abrir-lhes a mente ao que os rodeia, alimentar-lhes o espírito crítico, deixá-los ver pelos seus próprios olhos, ensinar-lhes os valores da vida em Humanidade.

Deixo algumas frases de várias personalidades da História sobre as quais podemos reflectir e que nos falam sobre a Humanidade:

"Sinta-se envergonhado de morrer até que tenha conseguido alguma vitória para a humanidade."( Horace Mann )

"Todos os homens se enganam, mas só os grandes homens reconhecem que se enganam." (Fontenelle)

“Se cada um dos teus dias for uma centelha de luz, no fim da vida terás iluminado uma boa parte do mundo.” (Osho)

“Não há progresso sem mudança. E quem não consegue mudar-se a si mesmo, acaba por não mudar coisa alguma.” (George Bernard Shaw)

“Para quem queira ver, há luz suficiente; para quem não quer, há bastante obscuridade.” (Blaise Pascal)

“O talento educa-se na calma; o carácter, no tumulto da vida.” (Goethe)

“O degrau de uma escada não serve simplesmente para que alguém permaneça em cima dele, destina-se a sustentar o pé de um homem o tempo suficiente para que ele coloque o outro um pouco mais alto.” (Thomas Huxley)

“Até um relógio parado está certo duas vezes por dia. Após alguns anos, pode vangloriar-se de uma longa série de sucessos.” (Marie Von Ebner)

"Os erros dos grandes homens são mais fecundos que as verdades dos pequenos." (Friedrich Nietzsche)

"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer."
(Albert Einstein)

12.4.08

Carta de amor de Almeida Garrett



A revista Tabu do jornal Sol selecciona, todas as semanas, uma carta de amor de uma pessoa célebre. Esta semana mereceu destaque o introdutor do romantismo em Portugal, um homem multifacetado que viveu num período muitíssimo agitado da História Europeia e de Portugal.

Pelo facto de termos estudado o Frei Luís de Sousa este ano, e como as palavras de Garrett me recordaram o grandioso e trágico amor de Madalena e Manuel e, finalmente, porque me parece interessante conhecer o autor por detrás das personagens que idealiza, resolvi introduzir esta carta no blogue.


(Penso que será necessário clicar sobre a imagem para que apareça num tamanho acessível à leitura dos textos.)

6.4.08

Admirável mundo novo


O livro Admirável Mundo Novo retrata um universo futurista onde, desde a infância as crianças, durante o sono, são "injectadas" com vozes repetidas que lhes indicam como funciona o sistema, ou mesmo os padrões de conduta, para que nenhuma se revolte e rejeite a casta em que está inserida e o destino que lhe foi reservado. Naquele mundo tudo é organizado, o lema pode ser: "comunidade, identidade e estabilidade". De facto, a questão central do livro prende-se com o condicionamento genético e psicológico das pessoas e até que ponto são ou não livres, tal como a personagem principal, o Selvagem, se irá questionar na fase final, chegando a um ponto de total exaustão em que a única solução será o suicídio.

Huxley, em inícios do século XX, ponderou que essa sociedade estritamente organizada passasse de utopia a realidade no século VII depois de Ford, todavia, somente um século passou e já as inovações científicas e tecnológicas cresceram a um ritmo incrível. Não estaremos nós a permitir que esta fábula futurista se torne uma realidade em menos de 600 anos?



Numa escrita clara e acessível, Huxley remete-nos para um tema muito pertinente e actual, desenvolvido não só na literatura como no cinema.

13.3.08

A Organização das Cidades na Antiguidade


As primeiras cidades surgiram há cerca de 5000 anos e foram construídas, maioritariamente, próximas de grandes afluxos de água, como mares ou rios, uma vez que estes proporcionavam terras férteis e irrigação, garantindo, assim, a produção necessária de alimentos para abastecê-las. É o caso de Tebas, no vale do Nilo, Mohenjo-Daro, no vale do Indo, e de Pequim, no vale do rio Amarelo. As cidades primogénitas eram, em comparação com as da actualidade, de pequenas dimensões. No entanto, com o passar dos tempos, tornaram-se cada vez maiores, como é o caso de Atenas, a mais importante cidade-Estado da Grécia Antiga, que chegou aos 250 mil habitantes, ou Roma, que chegou a um milhão. Estas cidades tornaram-se as duas mais importantes da Antiguidade, apresentando uma organização do espaço cívico bastante perspicaz.

A Grécia é um país que apresenta um relevo acentuado. Este facto teve grandes impactos na organização política do país. De facto, o relevo conduziu o país, na época clássica, à autarcia – cada cidade tem o seu próprio governo, a sua própria lei e o seu próprio culto religioso. Assim, a Grécia não era vista como um país, mas como um conjunto de cidades independentes umas das outras, denominadas polis (cidade-Estado). De entre as várias polis, Atenas, a actual capital da Grécia, teve um lugar de destaque, sendo uma das primeiras cidades a instituir a democracia, acabando por se tornar modelo para as outras cidades-Estado.

O espaço cívico – espaço urbano vivido pelo cidadão – das polis gregas estabelecia-se, frequentemente, em torno da acrópole – área mais alta da cidade (akros = alto; polis = cidade). Na acrópole encontrava-se o centro religioso e político da cidade, ou seja, os templos e os palácios. Era nesta zona que se concentrava aquilo que era considerado o mais importante das cidades, como forma de protecção. A parte mais baixa da cidade, a ágora, era a praça pública, onde se encontrava o comércio, o ensino e o espaço de convívio. Com a instituição da democracia, a ágora torna-se também o espaço político por excelência, onde funcionava a Eclésia (Assembleia dos cidadãos).

A actual Itália não era, na Antiguidade, como a Grécia, um conjunto de cidades-Estado, mas sim dominada por uma única cidade: Roma. Esta cidade conquistou um dos maiores impérios da História, que ia desde a Península Ibérica à actual Turquia. De facto, “o espaço de Roma era a cidade e o Mundo”, já dizia o poeta romano Ovídio, no século I d. C. De forma a gerir este vasto império, contrariamente a Atenas, centralizaram-se todos os poderes numa única pessoa, institucionalizando, assim, um Estado Imperial.

A organização do espaço urbano da civilização romana caracterizou-se pelo pragmatismo: filosofia ou corrente de pensamento que valoriza o senso comum, ou juízo prático e objectivo, como orientação de vida. Assim, a construção dos espaços urbanos tinha como objectivo simbolizar e reflectir o poder e a grandeza.

Em Roma, a praça pública não se designava ágora, mas fórum, e era lá que se encontravam os edifícios mais importantes ligados à política e à religião.Na periferia da cidade encontravam-se os espaços de lazer, como as termas, os teatros, os anfiteatros e os estádios, uma vez que se tornava mais fácil o abastecimento de água e outras necessidades.
O centro urbano era decorado com várias estátuas e outros monumentos decorativos, como arcos do triunfo e colunas.

A nível estrutural as ruas eram construídas paralelamente, com o objectivo de facilitar a circulação, de conseguir uma cidade organizada e de controlar os inimigos em caso de invasão.
No entanto, havia um grande contraste entre o majestático centro e os depauperados bairros populares, também conhecidos como ínsulas (ilhas). Estes bairros apresentavam ruas muito estreitas e sujas e, muitas vezes, eram vítimas de incêndios.

Estas cidades da época clássica cresceram e desenvolveram-se até aos dias de hoje, tornando-se, assim, a base das cidades do século XXI.

12.3.08

Degradação

Degradação - é cada vez mais comum ouvirmos esta palavra hoje em dia, principalmentequando se relaciona com espaços, prédios, bairros e habitações, pois tornam-se cada vez mais visíveis espaços degradados, principalmente nas cidades.Este facto deve-se a vários problemas, como o abandono das habitações no centro das cidades, por vezes porque o rendimento da população não chega para pagar as rendas muito altas, para competir com o comércio e com os serviços , nem para fazer obras de recuperação.

A degradação das habitações e dos espaços traz consequências graves. Por vezes estes espaços vão servir de abrigo para toxicodependentes, mas também para skaters montarem os seus percursos e as rampas onde treinaram as suas manobras.

Por isso deveriam criar-se planos e recursos para que fosse possível reduzir, reconstruir ou converter os espaços degradados. Por exemplo, em Setúbal, já vários espaços degradados foram recondtruídos: u, antigo café deu lugar a um a um cofre do Montepio Geral, tal como a antiga marisqueira "Vinícula" foi agora transformada numa loja Bennetton.












9.3.08

Coisas de fazerem tremer a gente!



A propósito do texto da Sara e porque estamos quase na Primavera, ocorreu-me partilhar convosco um dos poemas, da pouca poesia que conheço, que descreve o amor da forma mais bela. Como sabem, sou mais conceptual do que lírico, mas este poema consegue articular o lirismo à conceptualidade de uma forma perfeita. Ora sintam-no pensando-o:


O que é o amor
o ser que se perde no ser
na primavera da matéria eterna?
Acontecimento absoluto sempre no início
substância de velados fulgores
qual a grafia que segue as suas volutas
ou espelha o firmamento de uma morada?
Metamorfose do espaço sob delicadas arcadas
conhecimento gracioso de deslumbrantes delicadezas
o peito arqueia-se pleno de conhecimento e de graça
entrega-se ao sortilégio da subtil e sumptuosa energia
que irradia do permanente jardim das presenças voluptuosas
Tudo é voluptuosamente novo para os amantes
que vivem no início do mundo e sem o saber amam o deus inicial
Ó língua humana ó lingua deste livro
como poderás dizer a plenitude desse conhecimento espontâneo
se tu não és de lava nem de cristal
e não tens o líquido encanto da música
nem és profunda amante vida como a carne entregue ao gozo
absoluto
de uma dupla Fénix que ofusca a palavra e a liberta do silêncio
deslumbrado?
António Ramos Rosa (n. 1924), Génese

7.3.08

A vida - meditações pessimistas

O que é a vida senão um conjunto de dias que vão passando sem que nos apercebamos? Uns dias mais tristes que outros, as pessoas nem pensam no que devem fazer para melhorar as suas vidas, pois a vida já é tão rotineira que não temos mais nenhum objectivo senão passar um dia atrás do outro...E a vida vai passando.É um passatempo, nascemos a pensar que um dia vamos vamos morrer e tudo tem um fim. Chegamos à conclusão de que vivemos para nada, pois um dia tudo vai acabar...

Não há amigos verdadeiros, há sim, amigos de ocasião, amigos de festas, amigos da escola, amigos que nos desiludem... Os verdadeiros amigos não são aqueles que passam a mão no nosso ombro e dizem "isso vai passar, vais ver"; os verdadeiros dizem "salta mais esta pedra que eu ajudo-te". Por vezes pensamos que somos esses amigos que nunca desiludiram nem traíram, mas fizemos sempre alguma coisa que os magoou. Quando os problemas não são tratados na altura certa, quando não se dizem as verdades frente a frente... Desiludimos sempre alguém e mesmo com um pedido de desculpas, acabamos por cair no mesmo erro, o que não nos torna amigos verdadeiros. Mas somos seres humanos... Todos erramos.

O amor é um sentimento que se tem por outra ou outras pessoas. Todos amamos a nossa família e os que nos são mais próximos, mesmo que não sejam amigos verdadeiros, mas o amor por uma pessoa especial que vamos conhecendo aos bocadinhos, a vontade de estar com ela, de não querer sair nunca daquele momento especial, acaba com uma desilusão, ou porque sonhamos que é de uma forma e as coisas se desenrolam completamente ao contrário, ou porque as pessoas revelam o que nunca tinham revelado ser, ou porque esse amor não é correspondido, ou porque acabou o amor ou até mesmo porque o amor tem limites. O preconceito das pessoas, ou porque têm vergonha por gostar de alguém diferente do que é normal; porque é mais baixo ou mais alto, mais gordo ou mais magro ou mais bonito ou mais feio, tudo isto estraga o amor, e poucos sobrevivem a este obstáculo.

Não só no amor, mas também na vida social, o preconceito pode afectar muita gente. Por ser diferente, é-se excluído de um grupo. As pessoas pensam que por se ser de uma determinada maneira só se deve relacionar com as pessoas que lhes são idênticas, ou seja, num grupo têm de ser todos iguais e as pessoas diferentes devem ser excluídas.

Pior do que uma doença física é uma doença mental. A doença física trata-se com medicamentos, repouso ou até operações, mas por muito dolorosa que seja, não se compara com uma doença mental, porque, esta, mesmo estando a ser tratada, causa um sofrimento cuja única solução é a morte, é uma dor que não se consegue explicar, é impossível não pensar, tudo o que nos rodeia é mau, só nos causa angústia, vontade de gritar e acabar com tudo, é muito forte e penoso. As pessoas com doenças mentais não são compreendidas, a não ser por quem passa pelo mesmo, o que nem sempre acontece porque uns têm mais força do que outras para ultrapassar cada obstáculo que aparece, as razões dessas doenças são sempre diferentes e ninguém sabe avaliar a gravidade de cada situação.

De que serve nascer para sofrer e acabar por morrer? As situações boas da vida são derrotadas pelas más e chegamos à conclusão de que não vale a pena tanto sofrimento para que, no final, os nossos restos sejam depositados na terra, como se uma nova planta se cultivasse...


(Publicado por Sara)

Problemas Sociais



O excessivo crescimento da população nas áreas urbanas não permite ajustar as infra-estruturas às necessidades da população. Desta incapacidade resultam problemas urbanísticos, ambientais e sobretudo sociais, que afectam as condições de vida urbana: envelhecimento, solidão, desemprego, pobreza, indiferença.

O facto de as novas gerações procurarem, geralmente, habitação nas áreas suburbanas, por ter um custo inferior ao das habitações no CBD ( Central Business District), conduz a uma série de situações que prejudicam gravemente a saúde da população. Vão aparecendo cada vez mais doenças a nível de fadiga e irritação, bem como preocupações excessivas, muitas vezes causadas pelas eternas filas de trânsito.

Outro problema existente nas cidades é o desemprego prolongado, o que prejudica, mais uma vez, a qualidade de vida da população urbana, visto que as famílias dependem totalmente dos salários. Para além dos problemas financeiros, o desemprego conduz a uma diminuição do contacto social, o que provoca situações de frustração, depressão, aumento da pobreza e sobretudo da exclusão social.

A pobreza é também um problema urbano que afecta, essencialmente, os idosos com baixas reformas e os empregados mal remunerados. Outra questão relacionada com o desemprego, com a pobreza e, sobretudo, com o abandono familiar, é o aumento do número dos sem-abrigo, os quais vivem em situação de ruptura com o sistema social. Estas desigualdades propiciam a criminalidade e, com ela, a insegurança dos cidadãos que, por medo, deixam de usufruir de espaços como jardins públicos e parques infantis.

Concluindo e reflectindo sobre este tema tão preocupante, penso que o maior e mais grave problema social é a nossa indiferença face a este tipo de questões: todos os dias passamos por centenas de pessoas que estão nestas condições de depressão, ou de desemprego, ou até mesmo de pobreza, e não damos o nosso coração e a nossa mão para ajudar, isto sim, é um grande problema que afecta a nossa sociedade e que tem de ser combatido por mim e por ti.

Imagem: "Não deixe que a pobreza se transforme em paisagem" www.istoincluime.org

1.3.08

Bem, com a ajuda da professora Helena Guerra decidi colocar este video.

Considero que é um vídeo que nos faz pensar e repensar na nossa vida, e também na vida de outras pessoas. O que o vídeo retrata é um gesto lindíssimo.

29.2.08

Campanhas da Benetton


A United Colors of Benetton é uma marca de roupa e acessórios nascida na Itália pelas mãos de um grupo de 4 irmãos da família Benetton. Estes irmãos apostaram na união de cores para fabricar o seu produto, de maneira a criar um estilo diferente e vivo. Para isso, conjugaram cores do arco-irís e aplicaram-se na construção daquela que é, hoje em dia, uma das marcas mais vendidas do mundo.
No entanto, nas suas campanhas, a Benetton marca a diferença. Utilizando personagens anónimas e muitas vezes sem roupas ou acessórios " Benettoneneses", esta empresa utiliza os problemas sociais do nosso mundo para dar cor às suas publicidades. Racismo, intolerância, problemas ambientais e SIDA são algumas das temáticas que nos são apresentadas nos outdoors e que, na maioria das vezes, nos fazem pensar. Comparando com outras marcas mundialmente conhecidas, somos obrigados a aceitar que a Benetton inova. Afinal, não mostra o mundo perfeito nem as pessoas felizes, muito pelo contrário. Demonstra-nos o que o planeta tem de pior e o que a sociedade é capaz de causar. Um dos mais conhecidos outdoors da Benetton recusa o racismo, mostrando três corações iguais, cada um representando as diferentes raças: amarela, negra e branca. No fundo, com este outdoor, consegue dar à essência da humanidade a importância que esta deve ter e até nos faz esquecer a que cultura pertencemos. Para a marca, a cultura deve ser misturada sem preconceitos porque, afinal, todos somos iguais. É a partir do Artº 1 da Declaração dos Direitos do Homem que a empresa critica a sociedade. A igualdade presente neste artigo mistura-se com as diferentes raças que, habitualmente, são preconceituadas.
Por outro lado, mostra-nos os problemas ambientais que são cada vez mais prejudiciais para este planeta. Apelando à sensibilidade de cada um, mostra-nos um Outdoor com um Patinho coberto de negro a passear na água cheia de petróleo. Constando haver essa realidade, a Benetton consegue colocar-nos no pensamento o sentimento de culpa que, apenas com uma imagem, nos chega ao coração.
Porque é isso que a marca faz, utiliza apenas uma imagem e o seu Logotipo no cantinho, completamente alheio de tudo. Porque, afinal, uma imagem vale mais do que mil palavras. Neste caso, isso é totalmente aplicável, já que nem com um texto de vinte páginas conseguiríamos passar a mensagem que a Benetton passa com apenas uma imagem chocante. O que torna estas imagens chocantes é o facto de todos termos consciência da existência desta realidade e, no entanto, nada fazermos.
Sendo alvo de vários estudos espalhados por todo o mundo, as campanhas da Benetton são, de facto, uma coisa completamente surreal. Inesperada para uns, motivo de censura para outros, a marca continua a fazer sucesso, não precisando de iludir o público com um mundo perfeito que, como todos sabemos, nunca existirá.

26.2.08

Vicent Van Gogh

Van Gogh: Starry Night

Van Gogh escreveu que "a noite está mais viva e mais rica em cores do que o dia”. “A Noite Estrelada”, provavelmente o seu quadro mais famoso, é o seu esforço bem sucedido para nos mostrar essa vida e cor. Foi criada por Van Gogh aos 37 anos, enquanto estava num asilo em Saint Rémy de Provence em Junho de 1889. Por isso deixo aqui este belo quadro, acompanhado da tradução da letra de uma música de Josh Groban, escrita por Don McLean, dedicada a este excelente pintor.

“Estrelada, Noite Estrelada”

Estrelada, noite estrelada
Pinte a sua paleta de azul e verde
Olhe em redor num dia de sol
Com olhos que conhecem a escuridão na minha alma
Sombras nas colinas
Desenhe árvores e narcisos
Pegue na brisa e no frio do inverno
Nas cores da terra enevoada
Agora eu entendo
O que me tentaste dizer
E o quanto sofreste por causa da tua sanidade
E como tentaste libertá-los
Eles não ouviriam
Não saberiam como
Talvez te escutem agora
Estrelada, noite estrelada
Flores flamejantes que resplandecem brilhantemente
Nuvens rodopiando e nevoeiro violento
Reflectem nos olhos de Vincent, olhos azuis de porcelana
As cores mudam a coloração
Campos matinais de grãos ambarino
Suportando rostos alinhados em dor
São acalmados pelas mãos amorosas dos artistas
Agora eu entendo
O que me tentaste dizer
E o quanto sofreste por causa da tua sanidade
E como tentaste libertá-los
Eles não ouviriam
Não saberiam como
Talvez te escutem agora
Eles não podem amar-te
Mas ainda assim o seu amor era verdadeiro
E quando nenhuma esperança for deixada dentro
Daquela estrelada, noite estrelada
Tu tomas-te a tua vida como os amantes geralmente fazem
Mas eu poderia ter-lhe dito, Vincent
Este mundo nunca foi feito para alguém tão maravilhoso como tu
Como os estranhos que você conheceu
O homem esfarrapado em roupas esfarrapadas
O espinho prateado da rosa ensanguentada
Que se estende, esmagada e desfolhada na neve virgem
Agora, acho que sei
O que me tentaste dizer
E o quanto sofreste por causa da tua sanidade
E como tentaste libertá-los
Eles não ouviriam
Ainda não o estão a escutar
Talvez eles nunca o ouçam...

24.2.08

Qual o fim ?


Para iniciar a minha actividade neste BLOG, gostava de deixar uma imagem para discussão dos restantes elementos. Esta imagem mostra-nos Nagasaki antes e depois da bomba atómica. Comentem, acho que também é interessante falarmos da humanidade que se destrói a si-mesma.

22.2.08

Visita "Rumo ao Sul"

Vou publicar esta foto que mostra os elementos da turma do 11ºD que dinamizam este blog e contribuem para o seu desenvolvimento.

A foto foi tirada pelo director de turma, Valter Boita, durante a visita de estudo, na praia de Vila Nova de Mil Fontes, que é uma pequena vila alentejana com muitos atractivos. Visitámos também o Porto de Sines, dotado de modernos terminais especializados que podem movimentar os diferentes tipos de mercadorias, que está aberto ao mar e conta com excelentes acessibilidades marítimas sem constrangimentos.

Fomos também a Tróia e daí fizemos uma travessia de barco até Setúbal onde visitámos o Museu do Trabalho que para mim foi a parte mais interessante de toda a visita, quer pela competência do instrutor, quer pela qualidade do museu.

Ao princípio, quando se soube que a visita iria ser só de um dia, a notícia não foi muito bem recebida, mas penso que no geral todos gostaram desta visita de estudo e basta-me deixar aqui um obrigado aos professores que a tornaram possível.